#WG-Caso Laura

[05.MAG](Aula 11.2) “Caso Laura”.

Suas interseções e seus exames/bases categoriais – Will Goya

Uma menina que não tinha vontade de viver. Ela matou o próprio pai. Se culpava e não permitia mais viver.Esse era o assunto imediato.

Ela queria ter uma vida mais livre e os pais não deixavam. O pai e a Laura brigaram e não se falavam mais. Ele bebia muito, e foi para o hospital. A mãe falava que ela iria matar o pai.
E morreu antes dela pedir desculpas.

Ela era formada em letras, pessoa bem formada. Sabia que foi um problema da cirrose, elementos biológicos e comportamentais da vida dele.Mas, ela se culpava. O raciocínio dela não era determinante no ato de consciência existencial.

Não dá para orientar o outro da nossa forma com os nossos conteúdos. Muitas pessoas entendem que devem parar de fumar, mas o raciocínio não é determinante.

Todos nós fomos educados ao raciocínio e mal educados à existência complexa.

Muitas pessoas, de forma equivocada, costuma usa o argumento para fazer clínica. Costuma não ser assim. São outros viés que devemos abordar.

MODO DE AGIR DETERMINADO

A primeira parte da Clínica é uma pesquisa para saber como a outra pessoa tem como determinação seu modo de existir, para que só possamos ir ao outro do modo dele. Essa tarefa é singular mais do que subjetiva.

Digamos que se psicologias em geral, terapias de uma forma geral e ciências humanas fazem isso em busca da subjetividade, dos elementos interpretativos e cada um. Mas o que procura a filosofia Clínica é fazer isso no nível da singularidade, por isso não faz e nem se utiliza de tipos psicológicos que poderiam ser agora, no meu entender, elementos de aproximação mas que não me dão o singular. Único.

Neste ponto a filosofia Clínica é um Pensar No íntimo de cada singularidade e ajudar cada um a pensar por si. mesmo que hajam tipologias médicas e psicológicas para apoiarem ou desapoiar (e isso são instrumentos de acréscimo mas nunca de substituição) o olhar de cada pessoa.

Quando Laura chegou eu identifiquei um dia no mapeamento da sua historicidade haviam as qualidades de intercessão.

Como intercessão positiva ela tinha muito claramente observado um vínculo de amor subjetivamente agradável entre ela e seus cachorros. E também com avó paterna de maneira em que quando eu precisasse que ela se alimentasse de relações positivas de interseções positivas eu sabia onde localizar esse tipo e administrar esse tipo de detecção.

Como relação negativa claramente os pais. Com o falecimento do pai, a mãe mantinha esse vínculo com a permanente lembrança de culpa. Toda vez que ela via a mãe ela se recordava não diretamente das palavras na frase. Relação desconfortável.

Como intercessão confusa ela tinha com um rapaz da faculdade. Ela achava ele simpático, mas ele não tinha o corpo gostoso e nem era cheiroso. Não era igual ao Brad Pitty. Ela queria perto, mas não queria envolvimento. Pensava se o envolvimento com outros poderia afastá-lo. Queria aproximação e afastamento ao mesmo tempo. ATENÇÃO: Confusão não significa necessariamente algo que Deva ser evitado mas reconhecido por que há pessoas que até preferem a confusão. Pois a confusão causa surpresa ,tira da rotina.

Como intercessão oscilante ou indefinida está a relação dela com a mãe. De um lado era claramente negativa sempre negativa na presença da mãe, por outro lado era também positiva Porque ela tinha Apesar das brigas com os pais tinha grande noção e senso para si mesma de familiaridade. Na presença da família se sentia mal porque isso causava a discussão e serpentes mas também queria viver em família .

AS INTERSEÇÕES

Podemos encontrar agora exemplos disso em todos nós e sugiro que vocês comecem a não julgar com valor mas apenas reconhecer descritivamente as qualidades de interseções no sentido de mapear a existência com intenção ética para saber como se aproximar quando se se afastar, em prol de uma qualidade de vida melhor e existencialmente mais autêntica.

Algumas pessoas são mais autênticas portanto mais potentes para vida, mais capaz de enfrentar seus desafios, mais capazes de se recuperarem e dar força a sua caminhada Por que vivem em intercessão negativa. Um lutador profissional, por exemplo.

Há pessoas que também portanto vivem no mal-estar como qualidade de potência existencial.

A Gênese, a causação, a fonte filosófica que daria o substrato da realidade não é pertinente em filosofia clínica.

Porque que nós nunca teremos uma confirmação última ou metafísica para testar uma verdade e de qualificar outras. E nós teremos fenomenologicamente ou seja da aparência até a essência, força vital em elementos opostos. Ou seja se falamos em tipos psicológicos ou causações psicológicas diferentes no fundo na base filosófica para dizer “eis a essência da realidade” nos encontraremos verdades em teorias diferentes. Autênticas.

É tão verdadeiro por exemplo você confirmar na clínica a leitura de por exemplo de uma terapia corporal no qual através das energias corpóreas simultaneamente psicológicas nós encontramos um espécie de equilíbrio. Isso se torna um postulado Universal. Como causa  e consequentemente os efeitos, tem uma teoria e uma dinâmica de tratamento. Porém há pessoas que também na Clínica vão demonstrar apenas terem corpo como um adjacente, serem profundamente abstratas.

Na clínica vemos isso. É tão Verdade ter a existência e confirmação de terapêuticas corporais como terapêuticas abstratas.Todas as terapias alcançaram Verdades e confirmaram essas verdades pelos pelo seu método, mas erram em termos de ética, quando universalizam a possibilidade do diferente. Isto é, quando elas destroem a diferença e dizem no fundo essas diferenças são variações do mesmo porque somos corporais ou porque somos pulsão sexual na origem ou Isto ou Aquilo.

O que nos faremos é recuperar da filosofia seu caráter formador da potência humana. Isso é ser clínico.

Qual é a gênese da intercessão negativa?
A causação vai se revelando na medida em que a singularidade vai também se apresentando, como importante. Não trabalharemos a tese no inconsciente a priori nenhuma outra. Matar o pai não um nascimento, e sim uma uma constatação mas poderia ser anterior a isto. Nós não sabemos e não teremos como saber a causação,  pois, uma causação de uma interseção negativa, por exemplo,  pode se dar por pre-juízos e valores. Um crê em certas coisas outro crê outras. E daí causa se uma interseção negativa. Vamos imaginar que apesar de isso acontecer seja outro elemento, por exemplo a expressividade. O fato de a pessoa falar tudo que está no seu coração para outra e aí isso pode causar uma interseção negativa. Vamos imaginar outro elemento no princípio de verdade no sentido de que a um elementos simpáticos ou antipáticos que não dependem desses fatores. Tipo… você pode achar alguém interessante que combine diversos elementos, mas não há uma interseção positiva. Ao invés de criarmos uma causação, uma fonte, uma gênese,  nós caminharemos. É assim enquanto. Assim tem força. Por isso é a singular e não tipológico.

BASES CATEGORIAIS

Bases categoriais são uma revelação do mundo em torno a essa pessoa. Quando me refiro “o mundo em torno” é o mundo em que ela anima. Em outras palavras, como a objetividade do mundo em torno é seletivamente recortada (escolhida) pela subjetividade do partilhante. Parte e todo, identidade e variedade, presença ausência.

Exemplo: O que vc acha interessante em cima da mesa?
Primeira pessoa: copos vermelhos;
Segunda pessoa: flores.

Porque os copos vermelhos? ( estou enraizando )

A mesa é o tamanho do mundo que te dei, o qual eu chamo de “entorno a consciência”.
Não estamos mais no mundo objetivo e ao mesmo tempo estamos, porque fiz uma seleção de toda objetividade possível.

Fiz somente um recorte para estudar o que me interessa. Então, a mesa é uma OBJETIVIDADE SELETIVA, descartando tudo que esta nessa sala ou o cosmos. OBJETIVIDADE SELETIVA é Historicidade. Um corte tem um um pedaço do mundo.

Perceba que uns vão pela via sensorial(cor). Outros vão pela forma. Uns vão pelo axiológico ou uma emoção associada. Outros vão por elementos todo(da mesa) e parte(copo). Uma seleção de flores, tem algo mais voltado à uma estética emotiva. Mas parece que isso é via emoção, valores de afeto.
Quando essas pessoas forem em um lugar diferente, uma olha pelo viés das cores e outro pelo dos elementos afetivos.

 

ASSUNTO

É o foco da narrativa. Foco do discurso. foco do olhar. Foco. Na maioria das vezes as pessoas apresentam como algo funcional: Algo não está funcionando corretamente. Não consigo fazer isso, tal , tal, tal.

ASSUNTO IMEDIATO

É o que é feito sem a profundidade da Gênese subjetiva e histórica para cada um. É como parece, nem sempre coincide com o que de fato é. É o foco profundo do Olhar da pessoa.

ASSUNTO ÚLTIMO: Não é algo exclusivo ou final. É o que tem mais força determinante do seu foco.

 

Exemplo 01:
Assunto imediato: Procurar emprego. Esse é o foco.
ASSUNTO ÚLTIMO: Preciso ganhar um salário para pagar as minhas contas.

Exemplo 02:
Assunto imediato: Não durmo direito, tenho insônias, não tem razão para viver e estou aqui pq minha mãe trouxe.
Assunto Último: Culpa com elementos de pre-juízos e valores profundamente conjugados na sensação e na crença de matar o pai, sendo ela católica com um homicídio como pecado capital.
Comentário: para quem pensa metafisicamente assim, isso é o pior de todos os cenários.

CIRCUNSTÂNCIA: Todos os elementos que dão enredo à uma história. Não ouvimos toda existência, mas sim obter elementos suficientes para dar um contexto de vida. Exemplo: Você está vendo um filme e já está na metade. E uma pessoa pergunta o que está acontecendo. Aí, você seleciona elementos básicos mínimos suficientes para que a outra pessoa entenda. Circunstâncias pode ser uma pessoa, em um lugar, um objetivo, as dificuldades existentes, quem ajuda, um carro, um instrumento. Elementos que você pegou para contar a história. CIRCUNSTÂNCIA É dar vivacidade de enredo ( DE costura de significações vivaz / tecido de significação de historicidade em torno do assunto em questão.

Quando vamos às base categoriais e alguém fala algo, se eu não me preocupar entender as CIRCUNSTÂNCIAS da narrativa/discurso, eu com ISOLAMENTO e segundo MINHAS CIRCUNSTÂNCIA e não das dela.

Uma observação: Para o mesmo filme, cada pessoa escolhe circunstâncias para contar sobre o filme. Um toma por base cores. Outros podem escolher elementos psicológicos totalmente desvinculado dos vezes sensoriais (medo, alegria, excitação, normalidade).

ELEMENTOS ESTÃO SEMPRE SIMULTÂNEOS:

1) ASSUNTO – É o foco da narrativa. (Assunto imediato/ Assunto Último)
2) CIRCUNSTÂNCIA – Todos os elementos que dão enredo à uma história. Circunstâncias pode ser uma pessoa, em um lugar, um objetivo, as dificuldades existentes, quem ajuda, um carro, um instrumento. Elementos que você pegou para contar a história. CIRCUNSTÂNCIA É dar vivacidade de enredo ( DE costura de significações vivaz / tecido de significação de historicidade em torno do assunto em questão.
3) LUGAR – Comparação entre objetividade física do ambiente em torno e a subjetividade da interpretação. Como o ambiente físico é subjetivamente interpretado. Tem gente que só é produtiva andando na rua; que dorme só com ventilador; ou que se sente melhor em um cubículo de 2×2 ao invés da casa de 100 quadrados. Há um lugar que se sente renovado, vitalizado, fortalecido e autêntico.
4) TEMPO – Cada um tem uma noção de tempo, e vive em um período(passado, presente, futuro). Tem gente que é mais produtivo a noite, ou depois do café da manhã. Ou de manhã bem cedo.
5) RELAÇÃO – interseções/ vínculo (positiva, negativa, confusa, oscilante)

LUGAR: Como o ambiente físico é subjetivamente interpretado. Uma sala 8 x 4. Para um é agradável, para outro não. Tem gente que tem uma casa enorme, mas ao estudar ele vai para um cubículo. Ele percebeu que o espaço altera o espaço de entendimento. Para uns, o ambiente físico é espaço, outros é luz.

Laura tinha vários lugares. Reclamava da casa que era grande de mais, e por isso ficava muito no seu quarto. E lá, ela se sentia bem, se sentia em casa. Na sala, cozinha e outros espaços, ela se sentia estranha e desconfortável. O quarto ela dela, o fora do quarto, era o espaço da mãe. Ela se sentia bem no quarto, mas nos outros lugares ela se sentia mal. Tem gente que dentro da igreja, se sente um pecador. Fora da igreja, esquece que pecado existe. Percebe? Isso varia para cada um.

Laura viveu no interior, onde se sentia uma certa liberdade. Ao ir para Goiânia(ela entende que isso não é interior), ela passou a ter um elemento comparativo entre interior e centro urbano, que fez ela não gostar da vida do interior, pacata. Sentia que o centro urbano tem mais coisas (festas, oportunidades) mas tinha a questão da violência. Tudo é uma questão de interpretação de cada um. Tem gente que sente falta de um barulho. Tem gente que só dorme em extremo silêncio.

Reflita:
Quais são os elementos que a pessoa se vincula no mundo. E sem eles a pessoa se desvincula do mundo? Tem gente que possui coisas, mas não possui animação. Tem gente que vê filme, mas não se sente engajado. Pode faltar cores, ação, som, algo mais. Tem gente que, de dia se sente vegetando. E a noite, ficava ativa, alegre, criativa, conectada. Na medida que o tempo escurecia, as coisas fluem mais.

TEMPO: O que é duas horas. 1 mês. 4 anos? 4 anos para uns é uma eternidade. Para outros, somente 4 anos. Cada um tem uma noção de tempo. Há pessoas que vivem no passado. Tem gente que vivem pensando melhor no futuro. Isso é normal. Laura perde horas no salão de beleza. Ao cuidar de si, acordava a vitalidade existencial de ser. Ela tinha um sonho de ir para a Europa. Ao falar isso, a depressão acabava ou entrava em pausa. Ela revitalizava e se comportava diferente. O mesmo acontecia quando ela ia para casa da avô, sentia que renovava a sua vitalidade, fortalecia a sua autenticidade.

=============
OFERECENDO CONTEÚDO E MÉTODO PARA SER AUTÊNTICA – FINAL DA CLÍNICA
=============

A pratica é simples e complexo quanto prestar atenção em pessoas que conhece.
Pode até fazer sem seguir metodologicamente um caminho. Essa pesquisa encontra:

1) PREDOMINÂNCIA CONSTANTE
Na medida que a narração é feita, identificamos elementos como possibilidades até que Adquiram a características determinantes/ predominantes. Ou seja, persiste em ser daquele jeito. A pessoa insiste em ser do jeito dela, isso vai se apresentando na história seletivamente.

Exemplo: Ela caminha todos os dias e isso se torna algo natural, comum.

2) FORÇA INTENSA IMPACTANTE
Não pela predominância mas pelo impacto potente e transformador de algo na vida.
No qual não se predomina, mas se altera profundamente.

Exemplo: a morte de alguém impacta a forma da pessoa existir.

GRANDES MOMENTOS NA CLINICA:

1) PESQUISA DE INVESTIGAÇÃO DA EP
2) APÓS A MONTAGEM DA EP E PLANEJAMENTO CLINICO DOS SUBMODOS, ENTRA A CONVERSAÇÃO E ORIENTAÇÃO EXISTENCIAL COM CONHECIMENTO ADEQUADO EPISTEMOLOGICAMENTE E ETICAMENTE PARA AQUELA PESSOA.

Na medida da habilidade e competência o clinico vai devolvendo essa capacidade de entendimento, diminui o tempo pelo aumento da sensibilidade. Uns gravam outros escrevem. E tem além os ELEMENTOS INTUITIVOS que são aprendidos por instantaneidade e depois confirmado na própria clínica. A INTUIÇÃO NÃO SUBSTITUI O MÉTODO, mas apenas o confirma.

Como evitar interpretação confusa?

Se eu conseguir de minha parte como interprete fazer um adiamento da pergunta até que volte sem perder a alteridade e reconecte, é melhor que faça isso. Mas como interprete, comprometer o meu entendimento das narrativas verbais e não verbais, eu tenho que fazer agendamentos para poder entender.
OU seja, DEPENDE DA CAPACIDADE DO OUVINTE, DO INTERPRETE.

se a sequencia não acontecer com marcações claras sem diversidade do estado comum consciência, melhor seguir outros caminhos tipo a matemática simbólica. A matemática simbólica não é um elemento linear é mais intuitivo.

Com ser um bom filósofo clinico?

Tudo vai na característica do interprete. Se eu for uma pessoa rica de emoções, musica, e até mesmo capacidade de entender a loucura de matar ou perdoar… tudo que for emotivo no outro, eu captarei e conseguirei ter mais diálogo. Isso é um aspecto da clinica. O outro independe do conhecimento e da epistemologia. A ética se antecipa a epistemologia, mesmo que eu não tenha subsídios adequados para uma clinica, eu preciso ficar ético, preciso acolher, ficar em silêncio. Não preciso saber muito do ser humano, sem rico em métodos. Preciso ser rico em acolhimento. Quanto maior a ausência de pre-julgamentos, melhor. É mais filosófico aquele que sabe que não sabe ou sabe que o óbvio engana, do que aquele que tem muitas certezas. Muitos serão grandes professores e não grandes clínicos. Outros grandes clínicos e não professores. E outros serão ambos.

Eu tenho o raciocínio com o modo de ser, tenho esse viés em mim bem desenvolvido. Não me comparo aos outros, mas outros tópicos perceptivos da minha existência. Por exemplo sinto o corpo tanto quanto penso. Mas o corpo não me toxica tanto quanto eu penso. É um viés determinante em mim. Se eu vou a outra pessoa que por uma coincidência ela é abstrata com riquezas com mesmo elemento que desenvolvi, teremos muita influência no tramite.
Mas tem gente que é rica em percepção sensorial.. pessoas assim percebe até alteração do cheiro dela, do corpo, da tensão muscular… e usam isso para avaliar. Atores tem percepções sensoriais maximizadas, e com pequenos movimentos musculares promovem grandes emoções. Eu não tenho riqueza sensória. Fiz uma parceria com pessoas para lidar com essa instancia. Fiz parcerias com outros filósofos que dominam melhor outros tópicos do que eu. Isso é natural. Mas o mais importante é a ética, que é o cuidar. E isso todos nos podemos fazer.

O barbeiro não conta o seu próprio cabelo.
Com base nessa questão, quem corta o cabelo do filósofo clínico ?

Eu mesmo é quando acho óbvio.
Penso contaminado engajado em um fluxo.
Por um motivo eu paro para me distanciar do que é óbvio. tipo.. pq eu estou fazendo isso(via raciocínio).
Ou por sentimento(pq eu estou sentindo isso?) Ou por escrito….
se isso acontece, vc tem o outro.
Olhe para uma foto… ele é o outro.
Se vc consegue ter esses distanciamento, vc consegue cortar o seu próprio cabelo.

O filosofo aprende que todo eu é constituído de relação com o mundo, com outros ,com outros olhares. Ele não considera o seu o mais determinante.. mas sim, onde está outro.
esse outro pode ser um filosofo Clínio. Então tenho eu como outro…e o outro como outro.

Tem que analisar a sua historicidade com um filosofo clinico no intuito de entender e montar a sua própria EP. Mas não com eu mesmo, mas o eu com estranhamento. Isso é incrível.

Com o treino, você vai ter um cara do seu lado o tempo todo. Que é um eu mais profundo, um eu mais imediato. Um é “quero ir para a galera, vou fluir”. Em oura hora você diz “preciso co-participar a distância para não ficar impulsivo e sim espontâneo”

Tem que ter uma prática em atendimento juntos. Todos irão ouvir como vou atender. E depois vamos ver o mais próximo possível do olhar original dela. E temos que filtrar as nossas projeção do dela. Esse é um exercício de alteridade. E vai nos dando essa maturidade.

Tem que ter um atendimento supervisionado. Vamos atender e juntos vamos pensar no caso.

CADA UM VAI CRIAR UM JEITO.
E ESSE JEITO CHAMAMOS DE CLÍNICA.

ESTRUTURA DO PENSAMENTO – Uma síntese de toda história do pensamento humano, enquanto forma, perspectivações. Cada tópico é uma perspectiva. Independe da experimentação.
Cada tópico é um lugar, um ponto de vista, elementos de perspectivação. A pessoa tem suas verdades e suas determinações. Uma coisa determinante é frequente, tá na história. Quando é determinante, chamamos de existencial. Gera vida, movimenta o corpo, faz conectar.

Tem gente que possui EP rígida do inicio ao fim.  Mas tem gente que é flexível. Tem gente que é uma pessoa emotiva. E depois de um tempo a pessoa mutilou a emoção e parece outra pessoa.

Não cabe ao filósofo clínico notar o que é e o que deveria ser.
Cabe ele encontrar elementos que tem vida e autenticidade e cuidar disso.
Seja lá o que for, onde houver força vital devemos respeitar. Respeitar não é concordar.
Se uma pessoa que brigar de forma determinante, respeito e me afasto.

TÓPICO 01 – Como o mundo parece fenomenologicamente. Como uma pessoa qualifica subjetivamente como o mundo é importante para ela. Em outras palavas, é um conceito da totalidade da existência. É uma noção implícita de totalidade.

Se uma pessoa entende que o mundo é um vídeo game, ela vai descrever dessa forma. A pessoa praticamente se descreve a partir do mundo. Karl Marx: o homem é fruto da história, dos valores econômicos. Para ele saber quem é alguém, ele vai precisar contextualizar o mundo. Pois você seria o que pensa a partir do mundo. Então para Karl, primeiro vem o mundo, depois o indivíduo, o singular. Normalmente moldado para o tal mundo.

Confucio: O estado se organiza a partir de mim e da minha casa. Não posso mudar o mundo sem antes ver o que tem dentro de mim e da minha casa. É o inverso de Karl. Primeiro tem que me entender, depois entender o mundo.

VERDADEIRO X EXISTENCIAL

Verdade é diferente de Existencial. Por isso que separo.

Tem gente que acha que o suicídio é uma solução para as causas humanas. Mas não se mata. Não que seja verdadeiro. Mas a verdade não tem força. Ou seja, o que ela falou é uma verdade, mas isso não é existencial ou seja, não tem força de determinação em sua vida. Outro exemplo: Pessoa fala que o mundo é perigoso. Sim, isso é uma verdade. Mas o SAIR DE CASA é mais existencial, tem força vital, é determinante.

Tem verdades que são intensas, mas não são profundas. Ou seja, tem verdades que são pontuais, intensas mas não históricas. São fatos, mas não compõe história, não tem vitalidade. As que possuem vitalidade, são constantes, determinantes, se apresentam na história o tempo todo. Uma verdade profunda, intensa, determinante.. tal como um rio. Aquilo carrega você.
As coisas determinantes são as peças fortes que deverão ser mexidas, é ali que se faz a clínica.
Pois quando a pessoa deixa pra lá as suas determinações, ela deixa de existir… e morre.
Pois perde engajamento. Perde alegria. Perde contexto. Tem forma, mas não tem conteúdo.
Forma é a fome. Conteúdo é a comida. OU seja, tem a ideia, mas não tem a fiscalização da coisa.
Tem a instancia, mas não tem o objeto.

FORMA(TÓPICO) E CONTEÚDO(ELEMENTO DO TÓPICO)

Tem gente que, a noção de totalidade é que compõe a existência dela. Ela se preocupa mais com o mundo, do que pensam dela. Nesse caso, o Filósofo Clinico vai conseguir chegar nessa pessoa a partir da visão de mundo.

Um caso interessante. uma pessoa pode achar que a visão de mundo seja a mais importante.
Então colocou o tópico 1 como determinante. As visões religiosas, o que Deus falou.. vou cumprir o que Deus pede. Então, de uma forma religiosa ela considera o mundo como determinante. E depois de uma certa idade pode descartar essa visão. Tipo.. não é isso. Sou eu! Ou seja, ela muda a forma. Saiu do tópico 1 e foi para o 2. E colocou o 2 acima do 1.

Em outro caso, ela pode manter a forma e mudar o conteúdo, como por exemplo: Ela continha achando que a visão do mundo é determinante, mas não é Deus que fala mais forte (que é o motor) mas sim o dinheiro.

Temos que sempre investigar o quanto esse tópico é presente na vida da pessoa. E quais as variações nas bases categoriais.

Outro exemplo interessante: uma pessoa tem o tópico 1 como determinante. Mas em casa, não importa o mundo. Mundo só importa quando saio de casa. Porta a dentro, é outra parada.

A Laura, por exemplo, quando ia para o interior a vida ficava murcha, perdia o sentido. Tem a forma, mas não tem o conteúdo. Tem a ideia, mas não sacia. Tem a fome, mas não tem comida. E isso torna menos vital.A noção de interior e exterior tá ligado a sensoridade. Por fim o tópico 01 está associado as categorias: LUGAR E RELAÇÃO.

Quando existe a força de determinação(o que é existencial), você vai encontrar na história, nos dados divisórios e nos enraizamentos. Aparece em tudo que é lugar.

TOPICO 02 – O Que acha de si mesmo. Toda opinião, julgamento, intuição. Tudo que se fala… Eu. Eu sinto, eu penso, eu sou. Muitas falam. Outras não falam nada. Historicamente, desde o século 18, 19 e 20, um dos substrato para a essa cultura é a crença do que você é importante. Em outras palavras: AUTOAJUDA. Automotivação. Tipo.. primeiro preciso me conhecer, para depois conhecer o mundo. Preciso me amar para depois amar o outro. Mas tem gente em que o EU nunca aparece com o centro, como o determinante. E assim, esse tópico não é obvio para algumas pessoas. Pensar no eu não significa ser egoísta.

O egoísta está no tópico 2, e pensa sempre o no que vai ganhar. Por outro lado, tem gente que fala… “Eu sou responsável em cuidar daquela pessoa”: Madre Teresa de Calcutá. Isso é o altruísmo. Madre até exercitava o jejum para não esquecer o que é a fome dos outros. Então aqui vale o egoísmo e o altruísmo.

Vamos imaginar um egoismo sem o tópico 02.Tem gente que pensa.. “eu sei o que é importante para mim”…  mas esse “mim” não é o “EU” e sim “a família, e dane-se os outros” .

Não se muda um rio pelas beiradas, mas sim pelo seu fluxo.
Então tem que ir no fundo. Se o tópico 2 é importante, então é ali que tem que mexer.

Agora uma coisa mega importante. Tem gente que associa o TÓPICO 02 ao cabelo. Não é o que acha de mim mesmo moralmente, mas esteticamente. Então, para algumas pessoas, cortar o cabelo é repensar a vida. Sendo assim, para aquelas pessoas em que não é força vital o cabelo associado ao EU, não adianta falar que tem que se cuidar, se embelezar, se arrumar, manter-se linda, cheirosa.

Por outro lado, tem gente que associa o TÓPICO 02 ao corpo. Ser mais magro, ter uma boa saúde, mais força, fazer uma plástica, enfim.. vários elementos do corpo, associado a saúde. Muda a forma de pensar.

Outro exemplo: Pessoa fala: O mundo me fez uma pessoa má. Nesse caso, isso não é o EU. É o ambiente. Para mudar, tem que mudar o ambiente.

Outro exemplo: Tem gente que fala… Eu sou uma pessoa legal (Tópico 02 ligado à elementos abstratos).

COMO CUIDAR

Seu eu sei o que é determinante (qual o tópico) e as bases categoriais (assunto, circunstâncias, tempo, lugar e relação), então seu sei cuidar dela. Sei o que nutre e sei o que a enfraquece. Um tópico bem alimentado, faz a pessoa fluir. Vai sentir dificuldades como todas as pessoas, isso é normal. Mas vai passar, e vai se reinventar.

SINGULARIDADE

Percebe o grau de singularidade sem tipologias para cada pessoa ?
Então a Filosofia Clínica cuida de cada um tal como ele é em sua singularidade: único e irrepetível.